segunda-feira, 7 de abril de 2014

"O brave new world" *

  
Admirável mundo novo (Brave new world) foi escrito em 1932 por Aldous Huxley e trata-se de uma ficção satírica, talvez "profética", sobre um mundo novo, que vive num falso regime de felicidade universal. " É uma denúncia do perigo que ameaça a humanidade, se a tempo não fechar os ouvidos ao canto da sereia de uma falsa noção de progresso". 

Não sendo bem recebido no ano em que foi publicado, torna-se um sucesso literário nas décadas seguintes.

  Admirável mundo novo passa-se ano 637 DF (Depois de Nosso Ford).
  Não há guerra, pobreza ou crime. A sociedade é estratificada por castas geneticamente predestinados. Os Alphas são intelectualmente superiores. Gamas, Deltas e Epsilões trabalham de forma servil na parte inferior. As classes mais baixas são necessárias porque os Alphas supostamente nunca poderiam ser felizes fazendo trabalho braçal. Os Alpha vivem num hedonismo alimentado quimicamente pela Soma (droga que provoca euforia).


* O título da obra provem da expressão "O brave new world" no discurso da personagem Miranda em "A tempestade", Acto V, cena I,  de William Shakespeare.





Aldous Huxley (1894 - 1963) Escritor inglês que passou parte da sua vida nos Estados Unidos, viveu em Los Angeles de 1937 até a sua morte em 1963. Conhecido pelos seus romances, como Admirável Mundo Novo e diversos ensaios, Huxley também editou a revista Oxford Poetry e publicou contos, poesias, literatura de viagem e guiões de filmes.
Para além do seu interesse no tema das consequências da droga para a mente humana, Aldous Huxley deixou na sua obra literária interessantes pensamentos sobre as suas preocupações ideológicas acerca da liberdade individual e da democracia:

"A ditadura perfeita terá as aparências da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.”

Dos seus textos viria a inspiração para o movimento hippie, bem como a inspiração para o nome da banda de Jim Morrisson, The Doors (The doors of perception).

Bibliografia (Alguns títulos disponíveis na sua Biblioteca) : 
Sem olhos em Gaza;  Regresso ao admirável mundo novo(1959); O grande problema; A ilha(1962); Sobre a democracia e outros estudos; O tempo tem de parar;Os corvos de Pereira Florida (1982); As portas da percepção do céu e do inferno(2005); Os dois corvos(2005)


Na próxima sessão, no dia 7 de Maio, iremos ler A instalação do medo de Rui Zink. Aceite a nossa sugestão!











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quinta-feira, 13 de março de 2014

Mademoiselle Emma Roault: Madame Bovary

A última sessão decorreu tendo como sugestão principal de leitura, e tema de conversa, o livro Madame Bovary de Gustave Flaubert. Trata-se de um romance, publicado 1856. "Ema persegue a imagem que lhe é dada por uma certa literatura desligada da realidade". 

Considerado uma ofensa à moral pública e à religião foi perseguido judicialmente e recebeu acusações do ministério público na altura. 
Segundo o advogado imperial maître Ernest Pinard "a ofensa à moral pública está nos quadros lascivos"... "a ofensa à moral religiosa nas imagens voluptuosas misturadas com as coisas sagradas". A estas alegações impõem-se as alegações do advogado da defesa maître Sénard: "... o que foi que Gustave Flaubert quis pintar?"... "Mostra uma mulher que caí no vício em virtude de um casamento inadequado... o sr. Flaubert quis descrever a mulher que, em vez de procurar acomodar-se na condição que lhe é dada, com a sua situação, com o seu nascimento; em vez de tentar adaptar-se à vida que lhe pertence, persiste em preocupar-se com aspirações estranhas colhidas numa educação demasiado elevada para ela.". Por fim o tribunal absolve Flaubert e os seus editores mandado-os em " liberdade sem custas", declarando: "a literatura, como a arte, para atingir o bem que lhe compete realizar, não deve ser apenas casta e pura na sua forma e na sua expressão". in Madame Bovary, ed. Civilização, 1982



Gustave Flaubert, French author of colourful novels such as Madame Bovary, Salammbo, and Sentimental Education, was born Dec. 12, 1821 (d. 1880)…
Flaubert was a supreme stylist and a prefectionist bordering on the  compulsive, who could spend a week producing a page, and still be  unhappy with a certain choice of metaphor.
His Madame Bovary shocked his bourgeois readers (who of course  secretly enjoyed the titilation), and a law suit was brought against  his publisher for immorality…
Gustave Flaubert (1821-1880) escritor francês é um dos representantes mais importantes do realismo francês.
Em 1851, após longo período sem produzir, inicia "Madame Bovary", a mais famosa de suas obras, foram cinco anos de trabalho incessante. Escrevia e reescrevia a mesma página dezenas de vezes. Em 1856, o romance começa a ser publicado na Revue de Paris, com alguns cortes, em vista da austeridade dos costumes da época.Os romances e contos de Flaubert oferecem um panorama do realismo em diversos campos. 
Madame Bovary e Bouvard et Pécuchet movem-se no campo do realismo burguês. Salammbô no do realismo histórico. Os Três Contos caracterizam-se pelo seu realismo imaginativo e romântico e A Educação Sentimental mostra um amplo realismo vital.    





Na próxima sessão, agendada para dia 2 de Abril, temos como sugestão de leitura o livro "Admirável mundo novo" de Aldous Huxley. Aceite a nossa sugestão!



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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Algumas sugestões que temos para si

Em todas as sessões do Clube de leitura, depois de analisar o livro de leitura colectiva, o grupo também partilha algumas sugestões para outras leituras.
Aqui deixamos-lhe alguns desses títulos que poderá encontrar na sua biblioteca. Aceite a nossa sugestão!



A colmeia,  Camilo José Cela
A Jangada de pedra,  José Saramago
A máquina de fazer espanhóis,  Valter Hugo Mãe
A misteriosa chama da rainha Loana,  Umberto Eco
A vida é breve,  Joostein Gaarder
A rapariga que roubava livros,  Markus Zusak
Bilhete de identidade,  Maria Filomena Mónica
Ditos e feitos dos padres do deserto,  Piero Draghi
História do pudor,  Jean Claude Bologne
O anatomista,  Frederico Andahazi
O ano da morte de Ricardo,  Reis José Saramago
O conto da sereia,  Gonçalo Torrente Ballester
O deserto dos tártaros,  Dino Buzzati
Operação antropóide,  Laurent Binet
Vataça: a favorita de D. Dinis,  Francisco do Ó Pacheco
A derrocada da Baliverna,  Dino Buzzati

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

A crónica do rei pasmado: scherzo em re(i) maior alegre, mas não demasiado

 A crónica do rei pasmado: scherzo em re(i) maior alegre, mas não demasiado (Crónica del Rey Pasmado no título original) de Gonzalo Torrente Ballester foi o livro que escolhemos para a leitura de grupo na última sessão. 

Trata-se de uma história simples, com personagens bem construídas,  passada na corte espanhola no séc. XVII, durante o reinado de Filipe IV.

O rei fica pasmado, depois de ver a nudez luxuriante de Marfisa, uma cortesã, e é acometido pelo repentino e obsessivo desejo de ver a rainha nua. 
Numa corte puritana e de costumes exageradamente  beatos tal desejo criou uma enorme bisbilhotice…

... e a nós, no Clube de Leitura, proporcionou-nos mais uma longa e animada conversa.



A crónica do rei pasmado foi adaptado ao cinema em 1991 por Imanol Uribe e conta com a presença do actor Joaquim de Almeida no papel do jesuíta padre Almeida.


Gonzalo Torrente Ballester (1910-1999) professor, romancista, crítico literário e teatral, dramaturgo e jornalista espanhol. 
Ganhou o Prémio Cervantes, o mais significativo prémio literário para escritores da língua espanhola. Numa entrevista publicada na fase final da sua vida no diário madrileno El País, Torrente Ballester afirmou: "Nunca nenhum romance me deu tanta satisfação como ver crescer sãos cada um dos meus (onze) filhos." Nunca deixou de escrever, porque era disso que vivia, quando não podia mais escrever, ditava os livros, “mas não é a mesma coisa” disse em entrevista ao jornal espanhol El mundo (21/09/1997).

Bibliografia (Alguns títulos disponíveis na sua Biblioteca) :
O conto da sereia (1986) Fragmentos de Apocalipse (1991); A Ilha dos Jacintos Cortados (1994); A Saga/Fuga de J.B.(1995); Don Juan (1995); A Bela adormecida vai à escola (1996); Os Prazeres e as sombras(1997). 

Na próxima sessão que está combinada para dia 5 de Março vamos ler  Madame Bovary de Gustave Flaubert. Aceite a nossa sugestão!












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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Outras sugestões do Clube de Leitura


O Clube de Leitura realiza-se na primeira quarta-feira de cada mês, na Biblioteca Municipal pelas 21h00. 
Em cada sessão comenta-se um livro,  que é a leitura comum para todos os membros e que deixamos aqui como sugestão, mas... também lhe deixamos aqui outras sugestões que poderá encontrar na Biblioteca!





A Cidade de Ulisses, Teolinda Gersão
Caixa inglesa, Olga Gonçalves
O garden-party, Katherine Mansfield
Capitães da areia, Jorge Amado
Suicídios Exemplares, Enrique Vila-Matas
O mistério da cripta assombrada, Eduardo Mendoza
O hipopótamo de Deus, José Tolentino Mendonça
O grito da gaivota, Emmanuelle Laborit
Na outra margem da memoria, Vladimir Nabokov
O adeus às armas, Ernest Hemingway

Aceite a nossa sugestão.

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Lo-li-ta



“Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma. Lo-li-ta: a ponta da língua faz uma viagem de três passos pelo céu da boca abaixo e, no terceiro, bate nos dentes. Lo. Li. Ta.”
Assim começa o livro sobre o qual nos debruçamos na última sessão do Clube de Leitura. 

Um dos romances, em língua inglesa,  mais célebres do séc.XX, escrito por Vladimir Nabokov e que não deixa ninguém indiferente, de sentimentos antagónicos, amoral (segundo o próprio autor “Lolita não traz a reboque moral alguma), que escandaliza e que nos coloca na dúvida de quem será a presa e quem é o predador.

O livro fala de um homem de meia-idade, obsessivo e cínico, seduzido por uma garota de doze anos, ingenuamente  perversa. Biográfico perguntaremos ao lê-lo?!  “Lolita”, segundo Nabokov, não foi inspirada em nenhuma personagem real, muito menos o sedutor de meia idade Humbert Humbert. "Lolita é ficção da minha imaginação. Quando pensei no tema, não pensei em nenhuma garota especificamente. Na verdade, eu não conheço meninas tão bem, apenas as havia encontrado socialmente ao longo da vida. Humbert também nunca existiu. É um homem que eu inventei, um homem com uma obsessão, assim como muitos dos meus personagens sofrem de algum tipo de obsessão. Enquanto eu escrevia o livro, vários casos de homens mais velhos perseguindo jovens garotas começaram a ser publicados nos jornais, mas eu encarava isso apenas como uma interessante coincidência", declarou o autor em entrevista a BBC inglesa concedida em 1962.

“Lolita” tornou-se num clássico, exaustivamente analisado e discutido nos círculos psiquiátricos, a versão moderna da história do “Capuchinho vermelho e do lobo mau”. Hoje faz parte do imaginário coletivo, e até o nome da personagem tornou-se um substantivo corrente, que foi adaptado em  duas versões cinematográficas e continua a inspirar artistas plásticos, fotografos, cantores, escritores, comportamentos, tendências de moda...








Na próxima sessão, marcada para dia 5 de Fevereiro,  iremos ler "Crónica do rei pasmado" de Gonzalo Torrente Ballester. 








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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir...






... estas são as palavras que estão no início das "aventuras de João sem medo" e que nos levaram a mais uma animada conversa à volta deste livro.

Escrito por José Gomes Ferreira, publicado inicialmente em contos, toma a forma de livro em 1933.

Trata-se de uma história "fantástica que recorre ao imaginário mágico, por vezes de inspiração surrealista, este romance é um prodígio de efabulação e engenho narrativo"
O autor reconhece que a obra é "uma mescla de romance popular e de panfleto mágico" e advertia que muitos a iam ver como "uma sátira à casca de certos aspectos do ambiente pátrio", numa altura em que imperava a "Chatice", como num período em que a censura política dominava o país: "Bruxas? Não existem - dirão os senhores peremptórios, naturalistas e suficientes. Pois não. Mas a caça às bruxas, isso afirmo-vos eu que há".











A próxima sessão está combinada para  8 de Janeiro e iremos ler "Lolita" de Vladimir Nabokov. Aceite a nossa sugestão!






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