sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Lo-li-ta



“Lolita, luz da minha vida, fogo da minha virilidade. Meu pecado, minha alma. Lo-li-ta: a ponta da língua faz uma viagem de três passos pelo céu da boca abaixo e, no terceiro, bate nos dentes. Lo. Li. Ta.”
Assim começa o livro sobre o qual nos debruçamos na última sessão do Clube de Leitura. 

Um dos romances, em língua inglesa,  mais célebres do séc.XX, escrito por Vladimir Nabokov e que não deixa ninguém indiferente, de sentimentos antagónicos, amoral (segundo o próprio autor “Lolita não traz a reboque moral alguma), que escandaliza e que nos coloca na dúvida de quem será a presa e quem é o predador.

O livro fala de um homem de meia-idade, obsessivo e cínico, seduzido por uma garota de doze anos, ingenuamente  perversa. Biográfico perguntaremos ao lê-lo?!  “Lolita”, segundo Nabokov, não foi inspirada em nenhuma personagem real, muito menos o sedutor de meia idade Humbert Humbert. "Lolita é ficção da minha imaginação. Quando pensei no tema, não pensei em nenhuma garota especificamente. Na verdade, eu não conheço meninas tão bem, apenas as havia encontrado socialmente ao longo da vida. Humbert também nunca existiu. É um homem que eu inventei, um homem com uma obsessão, assim como muitos dos meus personagens sofrem de algum tipo de obsessão. Enquanto eu escrevia o livro, vários casos de homens mais velhos perseguindo jovens garotas começaram a ser publicados nos jornais, mas eu encarava isso apenas como uma interessante coincidência", declarou o autor em entrevista a BBC inglesa concedida em 1962.

“Lolita” tornou-se num clássico, exaustivamente analisado e discutido nos círculos psiquiátricos, a versão moderna da história do “Capuchinho vermelho e do lobo mau”. Hoje faz parte do imaginário coletivo, e até o nome da personagem tornou-se um substantivo corrente, que foi adaptado em  duas versões cinematográficas e continua a inspirar artistas plásticos, fotografos, cantores, escritores, comportamentos, tendências de moda...








Na próxima sessão, marcada para dia 5 de Fevereiro,  iremos ler "Crónica do rei pasmado" de Gonzalo Torrente Ballester. 








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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir...






... estas são as palavras que estão no início das "aventuras de João sem medo" e que nos levaram a mais uma animada conversa à volta deste livro.

Escrito por José Gomes Ferreira, publicado inicialmente em contos, toma a forma de livro em 1933.

Trata-se de uma história "fantástica que recorre ao imaginário mágico, por vezes de inspiração surrealista, este romance é um prodígio de efabulação e engenho narrativo"
O autor reconhece que a obra é "uma mescla de romance popular e de panfleto mágico" e advertia que muitos a iam ver como "uma sátira à casca de certos aspectos do ambiente pátrio", numa altura em que imperava a "Chatice", como num período em que a censura política dominava o país: "Bruxas? Não existem - dirão os senhores peremptórios, naturalistas e suficientes. Pois não. Mas a caça às bruxas, isso afirmo-vos eu que há".











A próxima sessão está combinada para  8 de Janeiro e iremos ler "Lolita" de Vladimir Nabokov. Aceite a nossa sugestão!






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terça-feira, 12 de novembro de 2013

O livro que se segue


O livro que destacamos é o “Dinossauro Excelentíssimo” de José Cardoso Pires. Escrito, segundo o próprio autor, em Londres no ano de 1970.
 
José Cardoso Pires conta que a publicação do livro foi permitida quando "numa discussão na Assembleia Nacional sobre a liberdade de imprensa, um deputado ultrafascista, Casal Ribeiro, em discussão com Miller Guerra, quis demonstrar a existência de liberdade dando como exemplo a publicação de Dinossauro Excelentíssimo. Claro que a partir daqui já não seria possível à censura retirar o livro das livrarias nem a PIDE(Polícia Internacional e de Defesa do Estado) poderia perseguir o seu autor." in Cravos de Abril: antecedentes e ecos – (re)lendo Portugal a partir de “Dinossauro excelentíssimo”, de José Cardoso Pires de Roberto Nunes Bittencourt
 
Um retrato grotesco de Salazar. Uma fabula satírica da vida e governação do estadista! Um livro que se apresenta actual no conteúdo e no grafismo. Contou com várias edições, das quais duas ilustradas, uma por João Abel Manta e outra por Júlio Pomar.
 
 O livro que se segue para leitura em conjunto, sob o tema "livros proibidos", será "Aventuras de João Sem Medo: panfleto mágico em forma de romance" de José Gomes Ferreira.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A próxima sessão está combinada para dia 4 de Dezembro. Aceite a nossa sugestão!
 
 
 
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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A próxima sessão

Mudámos o nosso horário, por isso o Clube de leitura da Biblioteca terá as suas sessões na primeira quarta-feira de cada mês às 21h00,  a próxima sessão realizar-se-á dia 6 de Novembro.
Também decidimos alterar a temática à qual submetemos as nossas leituras de grupo. Depois de passarmos pela "Literatura de viagens" e pelos "Romances de formação" desta vez escolhemos “Livros proibidos”. O próximo livro que vamos ler colectivamente será “Dinossauro Excelentíssimo” de José Cardoso Pires.

“ Em entrevista a Artur Portela, Cardoso Pires revelou as dificuldades de editar Dinossauro Excelentíssimo, afinal “publicar um retrato grotesco de Salazar era coisa que nenhuma casa ousaria”. Mas a verdade é que o livro saiu e foi bem acolhido […] O que não quer dizer que o livro não tenha sofrido com a censura.” in Cravos de Abril: antecedentes e ecos – (re)lendo Portugal a partir de “Dinossauro excelentíssimo”, de José Cardoso Pires de Roberto Nunes Bittencourt

Aceite a nossa sugestão!












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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Depois de uma curta pausa...

Depois de um curta pausa o Clube de leitura retomou a suas sessões na primeira terça feira de Setembro, e com o regresso trazemos mais sugestões para partilhar!
Assim deixamos aqui alguns títulos comentados entre nós e o convite para o próximo encontro na primeira terça feira dia 1 de Outubro pelas 21h00.


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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Vamos de férias...

... voltamos em Setembro! O encontro fica marcado para a 1ª terça-feira do mês.
Até lá vamos deixando-lhe aqui algumas sugestões comentadas nas nossas sessões.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A contadora de filmes


 "A contadora de filmes" (La contadora de películas) de Hernán Rivera Letelier foi o livro que reuniu consensos na última sessão do Clube de leitura. Uma narrativa simples com um final emocionante.


"Através da história desta «fazedora de ilusões», Hernán Rivera Letelier capta a vida no deserto chileno nos tempos áureos do cinema, criando um romance encantador na sua simplicidade e contundência." in "A contadora de filmes", Hernán Rivera Letelier .






Hernán Rivera Letelier (Chile, n.1950) No inicio escreveu poesia com a qual obteve algumas distinções. Autor de diversos romances multipremiados e publicados em vários países. O romance "A Rainha Isabel Cantava Rancheras" deu-lhe o reconhecimento. Os seus romances caracterizam-se pela força e originalidade de expressão, dando credibilidade aos seus personagens, tornando-as vivas nas suas atmosferas. Fala dos trabalhadores das Pampas, dos seus amores, da vida nos bordéis do ínicio do século XX, bandas de música, tudo em tom nostálgico...


Prémio Alfaguara de Novela, 2010
Nomeado Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras pelo Ministério da Cultura de França, 2001
Prémio do Consejo Nacional del Libro y la Lectura, 1994 / 1996

Bibliografia (títulos traduzidos para português): Os Comboios Vão para o Purgatório(2010 ), A Arte da Ressurreição(2011), Miragem de amor(2000), A rainha Isabel cantava rancheras(1998).

 

Na próxima sessão fica encontro marcado com a leitura de "Kafka à beira-mar" de Haruki Murakami. Este é mais um título que se enquadra na nossa leitura temática de romances de construção.

"A personagem principal do romance é um adolescente de quinze anos, Kafka Tamura, que se vê envolvido numa teia de acontecimentos surreais sem que o leitor saiba ao certo se parte dos estranhos acontecimentos da trama são ou não produto da imaginação exacerbada do jovem..."




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